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PROJETO - PARQUE LINEAR DO CANAL DA RUA 04/AV. BRASIL – MÉXICO 70


 

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O projeto do Parque Linear do Canal surge como proposta a um compilado de demandas da comunidade do México 70 e da Vila Margarida, no município de São Vicente, na Baixada Santista. As demandas eram por espaço de lazer público; recreação infantil; arborização; infraestrutura para bicicletas; produção comunitária de alimentos; iluminação pública; e coleta seletiva de resíduos.

O projeto teve como diretriz central a autogestão. Frente a um cenário de ausência do poder público na produção do urbano desse espaço, promover a autonomia dos moradores na execução de melhorias no seu bairro se tornou uma meta desafiadora. Então tomou-se como questão norteadora, como promover uma intervenção em escala urbana a ser executada pela própria comunidade?

O primeiro passo do projeto foi determinar e estudar uma área que fosse capaz de comportar as demandas da comunidade. E encontrou-se o Canal da Av. Brasil e México 70 com um grande potencial por sua extensão, e também por ser um espaço subutilizado devido a falta de infraestrutura (figura 1). Paralelo ao canal, há um terreno baldio de esquina que também foi englobado no projeto.


Figura 1 - Canal Rua 04/ Av. Brasil e lote vazio da Rua 07 – México 70
Figura 1 - Canal Rua 04/ Av. Brasil e lote vazio da Rua 07 – México 70 | Fonte: Adaptado do Google Earth, 2021

O partido do projeto acontece com um conceito “modular”. A proposta de um projeto passivo de autogestão e execução pela comunidade, se converteu na proposta de um projeto modular, um projeto de módulos urbanos de temáticas diferentes que se integram e possuem uma escala

micro-urbana. O objetivo foi garantir uma escala exequível e uma execução parcial, permitindo a autonomia na gestão do projeto uma vez que é possível a arrecadação parcial de recursos e um cronograma flexível.

Os módulos tipos criados possuem diretrizes de mobiliário urbano, piso, acessibilidade e arborização. As temáticas elaboradas foram quatro, são elas: Módulo Praça; Módulo Feira; Módulo Horta; Módulo Playground. Com os módulos é possível a repetição ao longo do canal, e ainda a adaptação a outros espaços (figura 2). A comunidade pode montar e combinar os módulos de acordo com as suas necessidades.


Figura 2 – Exemplo de espacialização dos módulos no Canal Rua 04/ Av. Brasil – México 70
Figura 2 – Exemplo de espacialização dos módulos no Canal Rua 04/ Av. Brasil – México 70 | Fonte: Elaborado pelas autoras com base cartográfica Google Earth, 2021.

O Módulo Praça possui a função de recreação e lazer passivo, e conta com arborização, bancos, lixeiras, iluminação pública, bicicletários (figura 3). O elemento chave do módulo é o design de um piso modulado em concreto. No caminho secundário, placas de concreto de tamanhos variados formam o piso. O projeto apresenta três modelos de paginação compatíveis entre si.


Figura 3 – Vista 3D do Módulo Praça
Figura 3 – Vista 3D do Módulo Praça | Fonte: Autoras, 2021.

O Módulo Feira parte da premissa de incentivar economias locais existentes, bem como novas atividades. O módulo consiste em um piso multiuso em intertravado colorido de fácil manutenção, onde é possível a montagem de feira itinerante (figura 4). O módulo também conversa com o Módulo Horta, onde será possível a comercialização da produção do módulo irmão.


Figura 3 – Vista 3D do Módulo Praça
Figura 3 – Vista 3D do Módulo Praça | Fonte: Autoras, 2021.

O Módulo Horta conta com a proposta de fazer o ciclo completo de produção de vegetais que vai da produção de material orgânico para adubação, plantio, e colheita. O módulo conta com: 1 – canteiro de plantio de hortaliças; 2 – módulo de composteiras e cisternas; 3 – módulo apicultura; 4 - módulo pomar; além de áreas de permanência e painéis informativos (figura 4).


Figura 4 – Layout do Módulo Horta
Figura 4 – Layout do Módulo Horta | Fonte: Autoras, 2021.

Os módulos Praça, Feira e Horta foram instalados ao longo do canal, no entanto, o Módulo Playground foi locado no terreno baldio paralelo que faz esquina entre as Ruas 04 e 07. O Módulo Playground possui a função de recreação infantil, e utiliza brinquedos alternativos e para execução in loco, sendo eles sensoriais e com materiais alternativos (figura 5). O módulo conta ainda com arborização, bancos, lixeiras, acessibilidade, ponto de coleta de materiais recicláveis (ECOPEV) e um pequeno pátio que pode comportar lanchonetes itinerantes (foodtruck).


Figura 5 – Vista 3D do Módulo Playground
Figura 5 – Vista 3D do Módulo Playground | Fonte: Autoras, 2021.

Foi desenvolvido um catálogo de espécies nativas da região para serem usadas na arborização dos módulos. Esse caderno paisagístico conta com espécies de árvores, palmeiras, forrações, arbustos e herbáceas (anexo). O projeto conta também com o detalhamento do mobiliário urbano utilizados nos módulos. Os modelos de lixeira, bicicletários e bancos podem ser

executados pelos moradores utilizando materiais de fácil acesso ou ainda frutos de reuso e reciclagem (figura 6).


Figura 6 – ilustrações do detalhamento do mobiliário urbano
Figura 6 – ilustrações do detalhamento do mobiliário urbano | Fonte: Autoras, 2021.

A implantação do Parque Linear do Canal contou com a proposta de todos os módulos, tendo ainda a repetição do módulo praça (figura 7). O projeto contou ainda com a proposta de uma ciclovia sazonal, devido à extensão estreita da Rua 04 em determinados pontos. Entende-se que em finais de semana e feriados a ciclofaixa possa ser instalada com auxílio de cones ou similares, com função recreativa.


Figura 7 – Implantação do Parque Linear
Figura 7 – Implantação do Parque Linear | Fonte: Autoras, 2021.

Também foi pensado uma proposta de locação de posteamento para iluminação pública, utilizando postes com mini placas solares, mas entende-se que é um elemento urbano a ser atendido e executado pela esfera do poder público, devido ao custo e tecnicidade pertinentes a esse tipo de obra. Ainda sim, acredita-se que o projeto se torne um elemento para pleito junto a prefeitura para sua execução.

Espera-se que o projeto oriente as práticas para as melhorias locais e torne-se um instrumento de discussão e diretrizes urbanas para diversas outras áreas com carência de infraestrutura urbana ou subutilizadas na comunidade. Através desse projeto, entendeu-se que pensar a autonomia do cidadão em projetos urbanos é dar o poder de gestão a quem de fato usa e cuida da cidade, promovendo assim a possibilidade de identificação e apropriação dos espaços.


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